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terça-feira, 6 de março de 2012



Tubarão-branco





  • Como ler uma caixa taxonómicaTubarão-branco
    Whiteshark-TGoss1.jpg
    Estado de conservação
    Classificação científica
    Reino: Animalia
    Filo: Chordata
    Classe: Chondrichthyes
    Subclasse: Elasmobranchii
    Superordem: Selachimorpha
    Ordem: Lamniformes
    Família: Lamnidae
    Género: Carcharodon
    Espécie: C. carcharias
    Nome binomial
    Carcharodon carcharias
    Lineu, 1758
    Distribuição geográfica
    Distribuição do Tubarão-branco pelo mundo (em azul).
    Distribuição do Tubarão-branco pelo mundo (em azul).
    O tubarão-branco (Carcharodon carcharias) é uma espécie de tubarão lamniforme, sendo o peixe predador de maiores dimensões existente na atualidade. Um tubarão-branco pode atingir 7,5 metros de comprimento e pesar até 2,5 toneladas. Esta espécie vive nas águas costeiras de todos os oceanos, desde que haja populações adequadas das suas presas, em particular pinípedes. Esta espécie é a única que sobrevive, na atualidade, do gênero Carcharodon.

    Índice

     

     Nomes comuns

    A espécie Carcharodon carcharias recebe inúmeros nomes ao longo de sua área de distribuição. Em espanhol, as denominações mais comuns são tiburón blanco (tubarão-branco) e gran tiburón blanco (grande tubarão-branco) (esta última influenciada pelo nome oficial em inglês, great white shark).[1]
    Na Espanha, a denominação tradicional de origem medieval o identifica como jaquetón (aumentativo de jaque, xeque em português), nome que acompanhado de distintos adjetivos se aplica também a muitas outras espécies da família Carcharhinidae. Existe também o nome jaquetón blanco (jaquetón-branco), derivado da fusão entre o nome anterior e o tiburón blanco (tubarão-branco), mais popular na atualidade. O nome de marrajo, como é chamado às vezes em países de língua espanhola, pode levar a confusões com outras espécies de tubarão.
    No Uruguai, é dado também o nome de "africano" a esta espécia. Em outros países existem denominações mais truculentas como "devorador de homens", em Cuba. Neste último país, também é conhecido como jaquetón de ley (jaquetón de lei), nome que, na Espanha, fica reservado para a espécie Carcharhinus longimanus.

    Descrição

    Características gerais

    Os tubarões brancos caracterizam-se pelo seu corpo fusiforme e peso , em contraste com as formas espalmada de outros tubarões. O focinho é cónico, curto e largo. A boca, muito grande e arredondada, tem forma de arco ou parábola. Permanece sempre entreaberta, deixando ver, pelo menos, uma fileira de dentes da mandíbula superior e uma dos da inferior, enquanto a água penetra nela e sai continuamente, pelas brânquias. Se este fluxo parasse, o tubarão afogar-se-ia, por carecer de opérculos para regular a passagem correcta de água, e afundar-se-ia na mesma, já que ao não possuir bexiga natatória vê-se condenado a estar em contínuo movimento para evitar afundar-se. Durante o ataque, as mandibulas abrem-se ao ponto de a cabeça ficar deformada e fecham-se imediatamente de seguida, com força 5 vezes a mordida humana. Os dentes são grandes, serrados, de forma triangular e muito largos. Ao contrário de outros tubarões, não possuem qualquer espaçamento entre os dentes, nem falta de dente algum, antes, têm toda a mandibula repleta de dentes alinhados e igualmente capazes de morder, cortar e rasgar. Atrás das fileiras de dentes principais, este tipo de tubarão tem duas ou três a mais em contínuo crescimento, que suprem a frequente queda de dentes com outros novos e vão-se substituindo por novas fileiras ao longo dos anos. A base do dente carece de raiz e encontra-se bifurcada, dando-lhe uma aparência inconfundível, em forma de ponta de flecha.
    Os orifícios nasais (narinas) são muito estreitos, enquanto que os olhos são pequenos, circulares e completamente negros. No lombo situam-se cinco fendas branquiais, duas nadadeiras peitorais bem desenvolvidas e de forma triangular e outras duas, perto da nadadeira caudal, muito mais pequenas. A caudal está muito desenvolvida, assim como a grande nadadeira dorsal. Outras duas nadadeiras pequenas (segunda dorsal e anal), perto da cauda, completam o aspecto de este animal.
    Apesar do seu nome, o tubarão é apenas branco na sua parte ventral, enquanto que a dorsal é cinzenta ou azulada. Este padrão, comum a muitos animais aquáticos, serve para que o tubarão se confunda com a luz solar (em caso de se olhar de baixo para cima) ou com as escuras águas marinhas (em caso de fazê-lo de cima para baixo), constituindo uma camuflagem tão simples quanto efetiva. O extremo da parte ventral das barbatanas da espádua e a zona das axilas aparecem tingidos de negro. A pele é formada por dentículos dermicos ou dentículos cutâneos, que dão o aspecto liso sentido nariz cauda e extremamente áspero no sentido cauda/nariz.
    Não obstante, a denominação de "tubarão-branco" poderia ter a sua lógica no caso de se avistarem exemplares albinos desta espécie, que são, contudo, muito raros. Em 1996, pescou-se, nas costas do Cabo Oriental (África do Sul), uma fêmea jovem, de apenas 145 cm, que exibia esta rara característica.

     Sentidos

    As terminações nervosas do extremo lateral (Linha lateral), captam a menor vibração ocorrida na água e guiam o animal até à presa, que está causando essa perturbação. Outros receptores (conhecidos como ampolas de Lorenzini, são células especializadas, com uma forma similar à de minúsculas "garrafas") situadas em toda região da cabeça do animal, permitem-lhe captar também campos elétricos de frequência variável, que provavelmente usam para orientar-se nas suas migrações, percorrendo grandes distancias. O seu olfato é tão potente que a presença de uma só gota de sangue a quilômetros de distância serve para atraí-lo, ao mesmo tempo que o torna muito mais agressivo. A visão também é bem desenvolvida e tem um papel muito importante na aproximação final à presa e o seu peculiar estado sempre atento, permitindo o ataque a partir de debaixo da mesma.

     Tamanho

    O comprimento mais frequente entre os tubarões adultos é de cinco a sete [metros] (sendo as fêmeas maiores do que os machos), ainda que se conheçam casos de indivíduos excepcionais que ultrapassam amplamente estas medidas. Na atualidade, não se pode assegurar qual é realmente o tamanho máximo nesta espécie, fato que se vê reforçado pela existência de notas antigas, pouco fiáveis, sobre animais realmente gigantescos. Vários destes casos analisam-se no livro The Great White Shark (1991), de Richard Ellis e John E. McCosker, ambos peritos em tubarões.
    Durante décadas, muitos livros de referência no campo da ictiologia reconheceram a existência de um tubarão-branco de 11 metros, capturado perto de Port Fairy (sul da Austrália) na década de 1870, o que se considerava o maior indivíduo conhecido. Ao abrigo desta medida máxima de comprimento, os registros de tubarões brancos de sete metros de largura foram considerados, até certo ponto, comuns e aceites sem grande discussão. Apesar disso, vários investigadores puseram em dúvida a fiabilidade do relatório de Port Fairy, insistindo na grande diferença de tamanho entre este indivíduo e qualquer um dos oconstrução do Porto de Suape.utros tubarões brancos capturados. Um século depois da captura, estudaram-se as mandíbulas do animal, ainda conservadas, e pode-se determinar que o seu tamanho corporal real rondava os cinco metros de comprimento. A confusão pode ter sido resultado de uma falha tipográfica, um erro derivado da tradução de unidades de unidades anglo-saxãs, ou internacionais (cinco metros são cerca de 16,5 pés), ou um simples exagero. [2]
    Tubarão-branco, nadando com outros peixes
    Voltando a Ellis e McCosker, estes asseguraram, na sua obra, que os maiores tubarões brancos rondam os seis metros de comprimento, e que as informações sobre indivíduos de sete metros ou mais, especialmente as existentes na literatura popular, não estão presentes na científica. Realçam o acontecido, em igual base, com a anaconda e a pitão gigante, "estes tubarões gigantes tendem a desaparecer quando um observador responsável se aproxima com uma fita métrica".
    O maior exemplar que Ellis e McCosker reconhecem é um tubarão-branco de 6,4 metros, capturado nas águas cubanas, em 1945, embora outras citações atribuam tamanhos variáveis que chegam até aos 7,9 metros. Uma fêmea, de entre sete e 7,8 metros, foi encontrada morta numa praia de Malta, em 1987, longe da zona com maior concentração de tubarões brancos do Mediterrâneo.[3]
    Em 2006, a maioria dos peritos já está de acordo em que o tamanho máximo que pode alcançar um tubarão-branco "não excepcional" é de uns seis metros de comprimento e cerca de 1,9 toneladas de peso. As informações sobre tamanhos muito maiores que este costumam considerar-se duvidosas.
    Relativamente ao peso, surge um novo problema, já que este pode variar ligeiramente, em função do que o tubarão tenha comido e se o fez o ou não há pouco tempo. Um exemplar adulto pode introduzir na boca até quatorze kg de carne, numa só mordida, e armazenar várias vezes essa quantidade, no seu estômago, até que termine de digeri-los. Por esta razão, Ellis e McConker consideram possível que os tubarões brancos possam chegar a alcançar as duas toneladas de peso, ainda que o mais pesado que se encontrou até ao momento pese "apenas" 1,75 toneladas.
    O mais pesado tubarão-branco reconhecido pela Associação Internacional de Pesca Desportiva (IGFA, em inglês) é um exemplar de 1.208 kg, capturado por Alf Dean, em 1959, ao sul da Austrália. Conhecem-se muitos outros exemplares mais pesados, mas a IGFA não os reconhece, por terem sido capturados sem respeitar as normas impostas por esta organização.
    No Brasil, o tubarão branco tornou-se conhecido pela maioria dos que moram no litoral sul de estado de Pernambuco, especialmente aqueles que residem nas proximidades das praias de Suape, Paiva, Candeias, Piedade e Boa Viagem, na Região Metropolitana de Recife. Isto porque a ampliação do Porto de Suape -um grande empreendimento local- ocasionou alguns transtornos à natureza e às espécies de vida marítima ali existentes, pois tais mudanças fizeram com que este tubarão mudasse sua rota de caça ao alimento, fazendo com que ele fosse às prais mais próximas em busca de alimento, e não encontrando, atacassem os banhistas e surfistas, fazendo muitas vítimas, algumas delas fatais. Com isso, estas praias tiveram algumas áreas restritas ao acesso dos banhistas e à pratica do surf.

     Distribuição

    O tubarão-branco vive sobre as zonas de plataforma continental, perto das costas, onde a água é menos profunda.
    O tubarão-branco vive sobre as zonas de plataforma continental, perto das costas, onde a água é menos profunda. É nestas zonas, onde a abundância de luz e correntes marinhas provocam uma maior concentração de vida animal, o que, para esta espécie, equivale a uma maior quantidade de alimento. Ainda assim, estão ausentes dos frios oceanos ártico e antártico, apesar de sua grande abundância em plâncton, peixes e mamíferos marinhos. Os tubarões brancos têm um avançado metabolismo, que lhes permite manterem-se mais quentes do que a água que os rodeia, mas não o suficiente para povoar estas zonas extremamente frias.[4]
    Áreas com presença frequente de tubarões brancos são as águas das Pequenas Antilhas, ou Golfo do México, Flórida, Cuba e a Costa Este dos Estados Unidos até à Terra Nova; a zona costeira do Rio Grande do Sul à Patagónia, a do Oceano Pacífico na América do Norte (desde a Baja California até ao sul do Alasca, onde chegam em anos anormalmente quentes) e da América do Sul (desde o Panamá ao Chile); arquipélagos do Oceano Pacífico, como Havai, Fiji e Nova Caledónia; Austrália (com a excepção de sua fronteira norte, sendo abundante na restante área), Tasmânia e Nova Zelândia, sendo muito frequente na zona da Grande Barreira de Coral; norte das Filipinas e todo o litoral asiático, desde Hainan até ao Japão e Sacalina; Seychelles, Maldivas, África do Sul (onde é muito abundante) e as zonas em volta dos estuários dos rios Congo e Volta; e a fronteira costeira desde o Senegal até à Inglaterra, com ajuntamentos consideráveis nas ilhas de Cabo Verde a das Canárias, alcançando também os mares Mediterrâneo e Vermelho. Nestas últimas zonas é onde a presença humana, manifestada através da super-exploração pesqueira e a contaminação das águas, tem reduzido consideravelmente a distribuição desta espécie. Apesar disso, parece que persiste na área alguma zona de criação, como por exemplo o Estreito de Messina. Ocasionalmente, esta espécie pode alcançar também águas da Indonésia, Malásia, o Mar de Okhotsk e a Terra do Fogo.[5][6][7]
    Normalmente mantém-se a uma certa distância da linha costeira, aproximando-se só naquelas zonas de especial concentração de atuns, focas, pinguins ou outros animais de hábitos costeiros. Igualmente, costuma permanecer próximo da superfície, ainda que, ocasionalmente, desça até cerca de um quilómetro de profundidade.

     Alimentação

    Tubarão alimentando-se, à superfície.
    Os tubarões brancos diferem muito do que popularmente se lhes chama, máquinas de matar, segundo a (lenda urbana). Para poder capturar os grandes mamíferos que constituem a base da sua dieta dos adultos,[8] os tubarões brancos recorrem a uma característica emboscada: colocam-se a vários metros por baixo da presa, que nada na superfície ou perto dela, usando a cor escura de seu dorso como camuflagem com o fundo, tornando-se assim, invisíveis para as suas vítimas. Quando chega o momento de atacar, avançam rapidamente para cima, com potentes movimentos do colo e abre as mandíbulas. O impacto costuma chegar ao ventre, onde o tubarão aferra fortemente a vítima: se esta é pequena, como um leão-marinho,[9] mata-a no acto e posteriormente engole-a inteira. Se é maior, arranca um grande pedaço da mesma, que ingere inteiro, já que os seus dentes não lhe permitem mastigar. A presa pode morrer imediatamente ou ficar moribunda, e o tubarão voltará a alimentar-se dela, arrancando um pedaço atrás de outro. Excitados pela presença de sangue, a zona encher-se-á de tubarões. Em algumas zonas do Pacífico, tubarões brancos arremetem com tanta força as focas e os leões-marinhos, que estes se elevam alguns metros sobre o nível da água, com sua presa entre as mandíbulas, antes de voltar a afundar-se.
    Esta espécie também consome carniça, especialmente a que procede de cadáveres de baleia à deriva, dos quais arrancam grandes pedaços. Próximo das zonas costeiras, os tubarões brancos consomem grandes quantidades de objetos flutuantes, por engano: nos seus estômagos já se chegou a encontrar, inclusive, matrículas de automóvel.
    Tanto na caça como nos outros vários aspetos da sua vida, o tubarão-branco costuma ser bastante solitário. Ocasionalmente vêem-se parelhas, ou pequenos grupos, deslocando-se em busca de alimento, trabalho que os leva a percorrer centenas de quilómetros. Ainda que preferentemente nómadas, alguns exemplares preferem alimentar-se em certas zonas costeiras, como ocorre em algumas regiões da Califórnia, África do Sul e, especialmente, Austrália.

     Inimigos naturais

    O tubarão-branco é o maior dos peixes carnívoros e um dos animais mais poderosos dos oceanos. Entretanto, tem um grande inimigo: o ser humano.
    Além disso, também tem que temer a orca (seu único inimigo em todo o oceano mesmo quando este é adulto, mas quando adulto pode destroçar qualquer coisa, inclusive a sua própria espécie, menos a orca). Em outubro de 1997, nas águas que banham as ilhas Farallon (na costa da Califórnia) ocorreu um ataque de uma orca fêmea de 6,5 metros conhecida pelos cientistas como ca2 contra um tubarão-branco jovem de 3 metros de tamanho, durante o qual o tubarão morreu. Mas o tubarão-branco, quando está completamente desenvolvido, carece de inimigos ou predadores, somente quando é filhote pode ser atacado pelas orcas ou por tubarões maiores. Não há nenhum caso documentado de ataque de orca contra um Carcharodon carcharias adulto.

     Reprodução

    Ainda que apenas existam poucos casos de fêmeas grávidas capturadas, pode-se afirmar que esta espécie prefere reproduzir-se em águas temperadas, na primavera ou verão, e é ovovivípara. Os ovos, de 4 a 10 ou talvez até 14, permanecem no útero até que eclodem: é possível que no tubarão-branco se dê o canibalismo intra-uterino (sendo as crias mais frágeis e os ovos ainda por abrir devorados por seus irmãos mais fortes) da mesma forma que acontece em outras espécies de lâmnidos, mas por agora não é algo que esteja totalmente provado. Entre três ou quatro crias de 1,20 metros de comprimento e dentes serrados conseguem sair ao exterior no parto e imediatamente se evadem de sua mãe para evitar serem devoradas por ela. Desde então levam uma vida solitária, crescendo a um ritmo bastante rápido. Alcançam os dois metros no primeiro ano de vida; os machos, menores que as fêmeas, amadurecem sexualmente antes que estas, quando alcançam os 3,8 m de comprimento, ainda que de acordo com Compagno (1984) alguns indivíduos poderiam amadurecer excepcionalmente quando contam com apenas dois metros e meio. As fêmeas não podem se reproduzir até que alcancem entre 4,5 e 5 m de comprimento.
    Não se conhece muita coisa sobre as relações intra-específicas que se dão nesta espécie, e o que sabe sobre o acasalamento não é uma exceção. É possível que este se produza com mais frequência depois de que vários indivíduos compartilham um grande banquete, como por exemplo, um cadáver de baleia. A vida média para esses animais não se conhece com exatidão, mas é provável que oscile entre os 15 e 30 anos.[10]

     Perigo de extinção

    Devido à ampla área de distribuição desta espécie, é impossível saber o número de tubarões-brancos que existem, ainda que seja de forma aproximada. Apesar disso, sua baixa densidade populacional, unida a sua escassa taxa de reprodução e sua baixa esperança de vida fazem que o tubarão-branco não seja um animal precisamente abundante. A pesca esportiva do tubarão, sem interesse econômico algum, se desenvolveu nos últimos 30 anos devido, em grande parte, à popularidade de filmes como Tubarão (Steven Spielberg, 1975) até o ponto de se considerar a ameaça de extinção em vários lugares.[11][12]
    Tubarão-branco, dentro de um aquário
    A lista vermelha da IUCN incluiu o tubarão-branco pela primeira vez em 1990 como espécie insuficientemente conhecida, e desde 1996, como vulnerável. O II Apêndice do Convênio CITES o inclui como espécie vulnerável sendo explorada irracionalmente.
    As medidas de conservação devem se aplicar obrigatoriamente sobre as populações em liberdade, já que a criação em cativeiro do tubarão-branco é impossível, devido provavelmente ao acusado caráter nômade da espécie (se tem dados de indivíduos visitando alternativamente as praias da África do Sul e Austrália, a 2.200 km de distância). O único exemplar que chegou a ser exibido vivo em um edifício foi uma fêmea jovem chamada Sandy, que viveu durante três dias do mês de agosto de 1980 no aquário Steinhart, de São Francisco. Depois de 72 horas em cativeiro, Sandy teve que ser libertada após deixar de comer e de se provocar graves feridas ao se chocar repetidamente contra uma das paredes do seu recinto. Posteriormente, se descobriu que o que atraia Sandy até esse lugar em particular era uma minúscula diferença de 125 microvolts (milhonésimos de volts) de potencial elétrico entre essa parede e o resto das do aquário. A intensidade do campo elétrico que Sandy detectava era tão pequena que passava despercebida para qualquer dos outros animais que se encontravam no mesmo tanque, incluindo vários tubarões de outras espécies.
    Por enquanto, não existe nenhuma moratória legal internacional sobre a pesca do tubarão-branco, ainda que esteja proibida em algumas áreas de sua distribuição. O tubarão-branco é uma espécie protegida na Califórnia, na costa leste dos Estados Unidos, no Golfo do México, na Namíbia, na África do Sul, nas Maldivas, em Israel e parte da Austrália (Austrália Meridional, Nova Gales do Sul, Tasmânia e Queensland). A Convenção de Barcelona o considera uma espécie ameaçada no Mediterrâneo, mas quase nenhum país com saída para este mar se efetuou alguma medida em favor de sua conservação.[13]

    Ataques a seres humanos

    O tubarão-branco é uma ameaça que requer cuidados extremos, já que mostra comportamento alimentar muito diversificado. Sua dieta é composta basicamente por focas e leões-marinhos; isso se dá porque esses animais possuem muita gordura. No entanto, essa espécie se mostra agressiva à qualquer animal - presa - que transite próximo. Há muitas dúvidas se essa postura é por curiosidade, ou realmente voracidade alimentar. Cientistas ainda divergem se tubarões brancos confundem humanos com focas, tartarugas ou leões marinhos. Em alguns testes recentes, um boneco vestindo uma roupa de mergulho foi seguidas vezes atacado por um tubarão branco, mesmo sem conter aroma de carne, peixe ou esboçar movimentação. Para se ter uma idéia da visão desses animais, eles conseguem distinguir espécies de leões marinhos e diferenciar o ataque por espécie, para evitar um possível ferimento durante a caça. [14] Como o corpo de humano não possui tanta gordura, o tubarão pode não partir para o segundo ataque.[15] O tubarão-branco pode projetar sua mandíbula durante um ataque, o que aumenta o ângulo da mordida.
    Tubarão-branco, a ser capturado
    Apesar de se ter criado uma lenda urbana, os ataques de tubarões contra seres humanos são bastante raros. Dentro desses, os do tubarão-branco podem ser considerados anedóticos se comparados com os do tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier)[16] ou o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), o último dos quais pode incluir remontar grandes rios (Mississipi, Amazonas, Zambeze etc.) e atacar as pessoas a vários quilômetros do mar. Além disso, as mortes causadas por estas três espécies em seu conjunto são inferiores às provocadas por serpentes marinhas e crocodilos cada ano, e inclui menores que os falecimentos ocasionados por animais tão aparentemente inofensivos como abelhas, vespas e hipopótamos. Considera-se que é mais provável morrer de um ataque do coração em alto-mar que por um ataque de um tubarão.
    Conforme Douglas Long, "morre mais gente cada ano por ataques de cachorros do que por ataques de tubarões brancos nos últimos 100 anos".[17][18] Em lugares onde a sua presença não é tão abundante, os ataques alcançam números realmente irrisórios: por exemplo, em todo o Mediterrâneo só se tem confirmado 31 ataques contra seres humanos nos últimos 200 anos, em sua maioria sem resultado de morte. De acordo com alguns investigadores americanos, a cifra de ataques de tubarões brancos a nível global entre 1926 e 1991 seria de 115, sendo Califórnia, Austrália e África do Sul os lugares de maior concentração desses ataques.
    Essa escassez de ataques, sobretudo mortais, pode ser ocasionada porque a que a maioria dos tubarões em geral e os brancos, em particular, não considerem aos humanos como autênticas presas potenciais. Ou, devido à queda na população deste animal. De feito, é possível que o sabor da carne humana seja incluso como algo desagradável, e também seja menos nutritiva e muito mais difícil de digerir que a de baleia ou foca. A grande maioria de ataques consistem em uma única mordida, depois o qual o animal se retira, levando poucas vezes alguma parte da infortunada vítima (principalmente pés e pernas). Estes ataques podem ter as seguintes razões:
    • O tubarão não ataca a vítima com intenção de comê-la no ataque, mas porque a considera uma intrusa na sua atividade diária e vê-a como uma ameaça em potencial. Por isso, a mordida e posterior retirada do tubarão nada mais seria do que uma desproporcionada advertência.
    • O animal sente-se confuso ante algo que nunca tinha visto antes e não sabe se é comestível ou não. Portanto, o fugaz ataque é uma espécie de "mordida-prova" com a intenção de descobrir se pode ou não alimentar-se desse novo elemento, no futuro. O possível sabor desagradável e complicações digestivas posteriores farão com que o tubarão não volte a caçar humanos, após esta experiência.[19]
    Dada a natureza do ataque, a vítima humana morre apenas em raras ocasiões, durante o mesmo. Quando isso acontece, a maioria das vezes é devido à perda massiva de sangue, que deve evitar-se de imediato. A libertação de sangue na água pode atrair também outros tubarões e peixes carnívoros, de diversas espécies, que podem ver-se impulsionados a realizar suas próprias "mordidas de prova", que piorarão o estado da vítima.
    Contudo, o perigo de ataque existe sempre, por mais remoto que seja. Uma pesquisa mostra que cerca de 80% das mortes causadas por tubarões brancos ocorreram em águas bastante quentes, quase cálidas, equatoriais, quando a maioria destes animais vive em zonas temperadas. Isto se deve provavelmente ao fato de que a grande maioria dos tubarões brancos são jovens e crias, que necessitam das águas temperadas para o seu desenvolvimento, enquanto que nas zonas mais quentes apenas entram os indivíduos maiores e velhos, que são muito mais violentos e perigosos.
    Fizeram-se vários ensaios de métodos para evitar as feridas por mordedura de tubarão-branco, em caso de um ataque repentino, entre elas encontram-se repelentes químicos, cotas de malha metálicas que se sobrepõem aos trajes de mergulho e acessórios que geram um campo eléctrico em torno do tronco do surfista e desorientam qualquer tubarão que se aproxime. No entanto, por muito eficientes que possam ser estes métodos, parece evidente que o melhor a fim de evitar ataques será não cometer imprudências, como afastar-se demasiado da costa, nadar sozinho ou nas primeiras e últimas horas do dia, ou, evidentemente, aproximar-se, de forma deliberada, de um exemplar, sobretudo se for de tamanho considerável.

    O tubarão-branco na ficção

    Na ficção, o tubarão-branco aparece como encarnação do perigo, em várias culturas. No entanto, a atual caracterização popular do tubarão-branco como o assassino do mar, por excelência, não existiria (ou não estaria tão difundida) se não fosse o filme Tubarão, em 1975. O filme é baseado na novela Jaws (romance) (1974) de Peter Benchley, que se inspira vagamente no sucesso histórico: a morte e mutilação de diversas pessoas, causadas por ataques de um tubarão que foi identificado como branco, em Nova Jersey, em 1916. Este filme virou as atenções para o tubarão-branco. Entretanto, outros filmes se fizeram, e o tubarão aparece neles como assassino, repetindo o êxito de seu predecessor. Entre esses está também o filme de animação Procurando Nemo, em 2003, da Disney, que inclui personagens cômicos representados por este tubarão



  • segunda-feira, 5 de março de 2012

    Ave-do-paraíso



    Como ler uma caixa taxonómicaAves-do-paraíso
    Parotia lawesii
    Classificação científica
    Reino: Animalia
    Filo: Chordata
    Classe: Aves
    Ordem: Passeriformes
    Família: Paradisaeidae
    Tribo: Paradisaeini
    Géneros
    Ver texto
    Paradisaeini é uma tribo de aves passeriformes da família Paradisaeidae, com 14 géneros e cerca de 43 espécies das chamadas aves-do-paraíso. A característica mais marcante das aves-do-paraíso é a plumagem exuberante dos machos da maioria das espécies, utilizada como ornamento nos rituais de acasalamento. O grupo é típico da Australásia e está presente nas regiões tropicais do Norte da Austrália, Nova Guiné, Indonésia e Ilhas Molucas. As aves-do-paraíso habitam principalmente zonas de floresta tropical e manguezais.
    As aves-do-paraíso são aves de pequeno a médio porte, medindo entre 15 a 120 cm de comprimento, incluindo a cauda. As espécies maiores têm dimensões aproximadas a um corvo. O grupo é notório por dimorfismo sexual extremo: as fêmeas têm plumagem monótona, em tons de cinzento e castanho, enquanto que os machos da maioria das espécies são muito coloridos, por vezes em tons contrastantes e/ou iridiscentes, com caudas longas e/ou penas que se destacam na cabeça e pescoço. Há no entanto espécies onde o macho não é ornamentado e é semelhante à fêmea. O bico é curto e forte e adaptado a uma alimentação omnívora, baseada em frutos, folhas e animais como anfíbios, insectos e outros invertebrados.
    Os machos das aves-do-paraíso são normalmente solitários, enquanto que as fêmeas vivem em pequenos bandos juntamente com os juvenis. Na época de reprodução, o macho representa uma série de rituais de exibição, com o objectivo de atrair as fêmeas. Estas danças são muito elaboradas e no género Parotia fazem inclusivamente lembrar as danças hula e limbo. Nas maioria das espécies, onde há dimorfismo sexual significativo, a fêmea toma conta da incubação e crias sozinha, mas quando o macho é semelhante em plumagem à fêmea toma também parte nos cuidados parentais. A hibridização é um fenómeno comum dentro deste grupo e resulta em animais com plumagens intermédias, que foram confundidos no passado como espécies próprias.
    As plumas das aves-do-paraíso são bastante importantes nas sociedades nativas da Nova Guiné como símbolo de estatuto social. Quando a ilha foi descoberta e explorada por naturalistas europeus, as aves-do-paraíso causaram sensação pelo seu exotismo e diversidade. As plumas tornaram-se num adorno habitual nos chapéus das senhoras das classes média e alta, enquanto que os museus de história natural e coleccionadores privados competiam pelo maior número possível de exemplares taxidermizados. No final do século XIX, princípio do século XX, foram abatidas muitas aves-do-paraíso para estes fins e muitas espécies ficaram à beira da extinção. Hoje em dia o IUCN lista apenas 12 aves-do-paraíso, mas todas as espécies do grupo estão protegidas na Papua-Nova Guiné e Irian Jaya. A importação de plumas de aves-do-paraíso é proibida na maioria dos países.
    Paradisaea minor
    As aves-do-paraíso foram anteriormente classificadas em família própria, Paradisaeidae.
    A espécie Parotia berlepschi, foi descrita no século XIX. Seu nome científico é uma referência a Hans von Berlepsch, ornitólogo alemão do mesmo século. Acreditava-se estar extinta, mas uma expedição ocorrida em dezembro de 2005 redescobriu-a nas Montanhas Foja, na Papua-Nova Guiné.

     Géneros

    Astrapia
    Cicinnurus
    Drepanornis
    Epimachus
    Lophorina
    Lycocorax
    Manucodia
    Paradigalla
    Paradisaea
    Parotia
    Pteridophora
    Ptiloris
    Seleucidis
    Semioptera

    domingo, 4 de março de 2012

    Pinguim


    Como ler uma caixa taxonómicaPinguim
    Pinguim-rei
    Classificação científica
    Reino: Animalia
    Filo: Chordata
    Classe: Aves
    Ordem: Sphenisciformes
    Família: Spheniscidae
    Géneros
    Aptenodytes
    Eudyptes
    Eudyptula
    Megadyptes
    Pygoscelis
    Spheniscus
    O pinguim (FO 1943: pingüim) é uma ave Spheniscidae, não voadora, característica do Hemisfério Sul, em especial na Antárctida e ilhas dos mares austrais, chegado à Terra do Fogo, Ilhas Malvinas e África do Sul, entre outros. Apesar da maior diversidade de pinguins se encontrar na Antártida e regiões polares, há também espécies que vivem nos trópicos como por exemplo nas Ilhas Galápagos. A morfologia dos pinguins reflete várias adaptações à vida no meio aquático: o corpo é fusiforme; as asas atrofiadas desempenham a função de barbatanas e os pelos são impermeabilizados através da secreção de óleos. Os pinguins alimentam-se de pequenos peixes, krill e outras formas de vida marinha, sendo por sua vez vítimas da predação de orcas e focas-leopardo.
    Os primeiros pinguins apareceram no registo geológico do Eocénico.
    O pinguim é uma ave marinha e excelente nadadora. Chega a nadar com uma velocidade de até 45 km/h e passa a maior parte do tempo na água.
    Os pinguins constituem a família Spheniscidae e a ordem Sphenisciformes (de acordo com a taxonomia de Sibley-Ahlquist, fariam parte da ordem Ciconiformes).

    Índice

     

     Aspectos biológicos

     Anatomia

    Pinguim no Museu Oceanográfico de Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil.
    Pinguins são muito adaptados à vida marinha. As asas vestigiais são inúteis para vôo no ar, porém na água são muito ágeis. Na terra, os pinguins usam a cauda e asas para manter o equilíbrio na postura erecta.
    Todos os pinguins possuem uma coloração por contraste para camuflagem (vistos ventralmente a cor branca confunde-se com a superfície refletiva da água, visto dorsalmente a plumagem preta os torna menos visíveis na água).
    Possuem uma camada isolante que ajudam a conservar o calor corporal na água gelada antártica. O Pinguim-imperador possui a maior maça corporal de todos os pinguins, o que redus ainda mais a área relativa e a perda de calor. Eles também são capazes de controlar o fluxo de sangue para as extremidades, reduzindo a quantidade de sangue que esfria mas evitando as extremidades de congelar. Eles frequentemente agrupam-se para conservar o calor e fazem rotação de posições para que cada pinguim disponha de um tempo no centro do bolsão de calor.
    Eles podem ingerir água salgada porque as glândulas supraorbitais filtram o excesso de sal da corrente sanguínea.[1][2] O sal é excretado em um fluido concentrado pelas passagens nasais.

     Alimentação

    Pinguins nadando.
    A dieta dos pinguins dos gêneros Aptenodytes, Megadyptes, Eudyptula e Spheniscus consiste principalmente em peixes . O gênero Pygoscelis fundamentalmente de plâncton. A dieta do género Eudyptes é pouco conhecida, mas acredita-se que muitas espécies alimentam-se de plâncton. Em todos os casos a dieta é complementada com cefalópodes e plâncton.

     Reprodução

    Há espécies de pinguins cujos pares reprodutores acasalam para toda a vida enquanto que outros fazem-no apenas durante uma época de reprodução. Normalmente, os progenitores cooperam nos cuidados com os ovos e com os juvenis. A forma do ninho varia, segundo a espécie de pinguim: alguns cavam uma pequena fossa, outros constroem o ninho com pedras e outros utilizam uma dobra de pele que possuem ventralmente para cobrir o ovo. Normalmente, o macho fica com o ovo e mantém-no quente, e a fêmea dirige-se para o mar com vista a encontrar alimento. Quando no seu regresso, o filhote terá alimento e então os papéis invertem-se: a fêmea fica em terra e o macho vai à procura de alimentos.

     Espécies

    Gêneros extintos

    Ver também

    sábado, 3 de março de 2012

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    quinta-feira, 1 de março de 2012

    Lontra-marinha

    Ir para: navegação, pesquisa
    Como ler uma caixa taxonómicaLontra-marinha
    Sea otter cropped.jpg
    Estado de conservação
    Classificação científica
    Reino: Animalia
    Filo: Chordata
    Classe: Mammalia
    Ordem: Carnivora
    Família: Mustelidae
    Subfamília: Lutrinae
    Género: Enhydra
    Espécie: E. lutris
    Nome binomial
    Enhydra lutris
    Fleming, 1822
    A lontra-marinha (Enhydra lutris) é um mamífero marinho nativo para as costas do norte e do leste do Oceano Pacífico. Lontras-marinhas adultas pesam tipicamente entre 14 e 45 kg, tornando-os mais pesados dos membros da família Mustelidae, mas entre os pequenos mamíferos marinhos. Diferentemente da maioria dos mamíferos marinhos, a forma primária de isolamento da lontra-marinha é um casaco de peles grossas, excepcionalmente, a mais densa no reino animal. Embora possa andar sobre a terra, essa lontra vive principalmente no oceano.
    A lontra-marinha habita ambientes que têm grande profundidade marinha. Alimenta-se principalmente sobre invertebrados marinhos como ouriços, moluscos e crustáceos diversos, e algumas espécies de peixes. Seus hábitos alimentares são notáveis em vários aspectos. Primeiro, o uso de rochas para abrir conchas torna uma das poucas espécies de mamíferos que usam essas ferramentas. Na maior parte de seu território, é uma espécie que controla populações de ouriço-do-mar, que em grande quantidade prejudica as populações de algas. Sua dieta inclui peixes que são valorizados por humanos como alimento, levando a conflitos entre as lontras-marinhas e pescadores.
    Essas lontras, cujo número foi estimado de cento e cinqüenta mil até trezentos mil, foram caçadas extensivamente para retirada de sua pele, entre 1741 e 1911, e com isso sua população caiu para no máximo dois mil. A proibição subseqüente internacional sobre a caça, os esforços de conservação, e programas de reintrodução em áreas anteriormente povoadas contribuíram para recuperação, e as espécies ocupam agora cerca de dois terços de sua escala anterior. A recuperação da lontra-marinha é considerada um sucesso importante na conservação marinha, embora as populações das ilhas Aleutas e da Califórnia recentemente tenham declinado. Por estas razões (bem como a sua particular vulnerabilidade a derrames de petróleo), a lontra-marinha continua a ser classificada como uma espécie em perigo.

     Taxonomia

    A primeira descrição científica da lontra-marinha está contida nas notas de campo de Georg Steller em 1751, e a espécie foi descrita por Linnaeus em seu Systema Naturae de 1758. Originalmente chamado Lutra marina, passou por inúmeras mudanças de nome antes de ser aceito como Enhydra lutris em 1922. O nome genérico Enhydra, deriva do grego antigo en / εν que significa "na" e Hydra / ύδρα que significa "água", e os lutris palavra em latim, significando "lontra". Antigamente, era por vezes referido como o "castor marinho", embora apresente um parentesco distante com os castores. Não deve ser confundida com a lontra-marinha-do-chile ou chugungo (Lontra felina), uma espécie de lontra rara nativa da costa oeste do sul da América do Sul. Um número de outras espécies de lontras, enquanto predominantemente vivem em água doce, são comumente encontrados em habitats marinhos costeiros.

     Evolução

    A lontra-marinha é o maior membro da família Mustelidae, um grupo diversificado que inclui as treze espécies de lontras e animais terrestres, como doninhas, texugos, e visons. Eles são os únicos entre os mustelídeos em que não fazem covas ou tocas, e não possui glândulas odoríferas na parte anal, além de poder viver debaixo da água por toda a vida. O único membro do gênero Enhydra, a lontra-marinha é tão diferente de outras espécies de mustelídeos, que tão recentemente quanto 1982, alguns cientistas acreditavam que era mais estreitamente relacionadas com as focas. [11] A análise genética indica que a lontra-marinha é mais próxima dos seus familiares existentes, que incluem o Hydrictis maculicollis, Lontra-européia, Aonyx capensis e a lontra-anã-oriental, um ancestral comum de cerca de cinco milhões de anos atrás.
    A evidência fóssil indica que a linhagem Enhydra ficou isolada no Pacífico Norte cerca de dois milhões de anos atrás, dando origem a agora extinta Enhydra macrodonta e a lontra-marinha moderna, Enhydra lutris. A lontra-marinha surgiu inicialmente no Norte de Hokkaido e Rússia, e depois houve a propagação para o leste das Ilhas Aleutas, no Alasca, e ao longo da costa norte-americana. Em relação aos cetáceos, sirênios e pinípedes, que entraram na água cerca de cinquenta milhões de anos, quarenta milhões de anos, e vinte milhões de anos atrás, respectivamente, a lontra-marinha é um parente recém-chegado. Em alguns aspectos, porém, a lontra-marinha é mais plenamente adaptada à água, mas deve ir para a terra ou gelo para dar à luz.